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Raízes

  • 27 de jan.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de jan.


Toda a horta tem raízes, assim como os castanheiros, os sobreiros, os pés de mirtilos, a figueira e os projetos da Semente. Começamos com Pedro...

José Brandão Pedro, nascido em Chave, no dia que se fez dezembro em 1944. Como todos os meninos nessa época, foi um menino descalço com pezinhos deslumbrados. 


Na pequena freguesia na encosta da Serra da Freita, tão rural quanto poética, a vida seguia sem pressa, em comunidade de uma valiosa vizinhança, entre tradições culturais e religiosas.



Ali Pedro brincou, aprendeu a obedecer e a rezar, estudou. Cresceu a olhar para um horizonte que se abria aos poucos, até que a sua missão maior se anunciasse.  Sem saber ainda com o que sonhar, ele foi cedo levado da casa dos seus pais, Sr. António e D. Angelina, para responder aos anseios do mundo: tornou-se um jurista e seguiu carreira pública, fundou e participou em dezenas de associações.


O seu ideal de vida surgiu no início dos anos 80, por volta dos 35 anos. Anos depois, próximo da aposentação, tomou a decisão de criar a Semente de Futuro, uma associação cooperativa com o propósito de assegurar a ligação da modesta quinta familiar herdada à agricultura biológica e biodinâmica, e de trabalhar, através de atividades sociais, para o desenvolvimento pessoal e social de quem por ali passasse. 


Pedro soube desde cedo que, mais do que pelas cidades, o nosso futuro como humanidade passará pela terra. Assim, passou a imaginar a Semente de Futuro como uma iniciativa de suporte ao desenvolvimento humano.


A jornada trouxe-lhe um crescente despertar da consciência e um olhar diferenciado para as coisas da terra e as coisas do céu. Aprendeu a perceber como tudo no mundo se interliga a partir de uma força divina. 


Foi na faculdade de Direito que conheceu Bonina Maria, que fez carreira a trabalhar com o direito das mulheres em âmbitos civis e sociais. No seu desenvolvimento pessoal, ela descobriu que a formação jurídica não esgotava nada em si e especializou-se e terapias familiares-sistémicas que praticou no Hospital Magalhães Lemos, no Porto. A seguir veio a formação em Biografia Humana. No entanto, ao sentir que lhe faltava o trabalho com as mãos, vieram as formações em agricultura biodinâmica e a especialização em massagem rítmica. 


Desde a sua reforma que Pedro e Bonina se dedicaram à conservação da terra e ao desafio de tornar a Semente de Futuro uma ideia sustentável para um futuro bem-aventurado.  


Houve um primeiro seminário de agricultura biodinâmica com Xavier Florin e a primeira apresentação da iniciativa, em 2005, foi animada por um agricultor e pecuarista, Julio Arroyo, biodinamista e amigo. Esse foi um importante ponto de partida na materialização do ideal associativo e comunitário. Mais amigos voluntários, muito talentosos, foram de suma importância nessa etapa. Como inspiração, também traziam as aprendizagens de outras duas instituições: a Harpa, em Alhandra, e a Casa Santa Isabel, em Seia.


Quando Pedro completou 70 anos, em 2014, pôs-se a plantar setenta árvores frutíferas, mais do que setenta, centenas delas. A terra retribuiu-lhe com muitas graças, entre macieiras, castanheiros, pereiras e mirtilos.


Aos 80 anos, despediu-se de nós e continua vivo: agora, quando as árvores farfalham, os nossos corações batem mais alto.

 
 
 

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